Nos dias 4 e 5 do mês de Março de 2008, realizou-se no auditório do Instituto Politécnico de Beja, no contexto das II Jornadas de Animação, o V Colóquio – “Caminhos da Animação”. Este foi organizado pelos alunos finalistas do Curso de Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Beja, sendo um importante meio de divulgação de Animação. Neste comemorou-se também os 10 anos de abertura do curso em Beja.
A sessão de abertura, a 4 de Março, consumou-se com a comunicação de entidades da Escola Superior de Educação de Beja. Iniciou-se com o Senhor Vice-reitor, cujo discurso se prendeu com as dinâmicas de sala de aula e com o saber formal, defendendo a presença de uma animador nas escolas para a criação de iniciativas que promovam o saber e o querer adquirir saber. Desta forma, a Animação é um meio de combater a apatia.
Seguiu-se para a comunicação da Professora Doutora Ana Lavado, que nos falou da importância da Animação para a região Alentejana, bem como da pertinência do curso e os seus 10 anos de existência.
Posteriormente, passou-se para o Professor Doutor José Orta, primeiro director do Curso de Animação em Beja, que se pronunciou acerca da evolução do curso e da importância/necessidade do animador na sociedade, enquanto agente transformador de seres humanos em identidades consumidoras de cultura. Definiu o animador como uma pessoa que trabalha para um mundo melhor, através da solidariedade, podendo desenvolver projectos. Referiu ainda que “Animar é necessário e é urgente”.
Rui Mateus, representante da Câmara Municipal de Beja, falou-nos da dinamização de projectos de Animação na cidade de Beja, realçando o facto desta reunir condições para essa dinamização.
Finalizou este variado conjunto o senhor Manuel Monge, Governador Civil de Beja, que nos conferenciou sobre a defesa dos nossos valores culturais intrínsecos e da importância das raízes da nossa terra e da sua preservação.
Sucedeu-se, assim, um intervalo com um momento de animação com o senhor Padre Cartageno e Ana, com uma rapsódia alentejana, passando para a pausa para café.
Continuamente, ouviu-se o Doutor António Leal, Animador e docente do curso de Animação na Escola Superior de Educação de Coimbra, que falou acerca dos desafios à Animação e as Animadores para o séc. XXI, mencionando a sua experiência como animador, uma vez que tem contacto com a Animação desde jovem. Falou do desenvolvimento da Animação nos anos 80, referindo que nesse período esta se prendia com a questão da infância, do desenvolvimento do espírito de iniciativa, abordando ainda que as crianças são reféns do consumo de lazer, o que trará reflexos no futuro. Defendeu claramente que a Animação é importante para o desenvolvimento da iniciativa.
Referiu-se ainda a um problema presente, extremamente eminente, que tem tendência para se agravar: a questão dos idosos. Cada vez mais a Esperança de Vida aumenta, o que torna urgente contribuir para uma velhice mais digna e activa, onde o animador terá um papel fundamental.
Outro assunto tratado pelo Doutor António Leal, onde pareceu bastante empenhado foi a questão dos emigrantes e da sua integração na sociedade portuguesa, onde revelou uma grande preocupação com adaptação dos filhos dos mesmos, uma vez que a maior parte nasceu em Portugal, devendo ser tratados como portugueses. Esta desintegração conduz a problemas nos bairros sociais. Será então aqui que o animador terá de intervir, trabalhando com este grupo de pessoas.
Seguidamente, falou-nos da questão da participação, onde disse que os Animadores defendem o seu desenvolvimento, mas não criaram metodologias para se combater. Aqui, o Animador terá de reconhecer os desafios, obrigando-o a agir. As metodologias de Animação deverão ser activas e participativas, de outra forma as estratégias não são solidificadas.
Na continuação do seu discurso, mencionou o facto de os Animadores acharem que não são reconhecidos, mas que devem estar conscientes do seu papel na sociedade, pois a Animação afirmou-se com a prática. Terão então de encontrar estratégias para a resolução de problemas em geral, pois o Animador não tem um campo de intervenção específico. A sociedade tem de conhecer o que o Animador tem para oferecer. A participação e o desenvolvimento de metodologias de participação são a base do seu trabalho. Este trabalha com as pessoas e para as pessoas. Procura dinamizar o protagonismo da população com que trabalha para que esta possa resolver os seus próprios problemas. Para tal, terá de ter metodologias de trabalho para as pessoas.
Para o Dr. António Leal, o Animador testa técnicas na escola, na realização do seu estágio. Esta deve ser o laboratório para as suas experiências, pois não se testam as técnicas no campo de trabalho.
Concluiu a comunicação com a ideia de que o Animador tem de contribuir de forma saudável e equilibrada para a construção de uma cidadania europeia.
Antecedentemente ao início dos Painéis de comunicação, tivemos o prazer de ver duas já animadoras (embora seja à pouco tempo) numa pequena representação, que divertiu imenso o público.
Passou-se então ao Painel I, intitulado de “Animação e Autarquias”, onde se falou sobre projectos de Animação dinamizados por Autarquias Portuguesas, que se iniciou com uma apresentação da programação realizada em Óbidos, realizada pelo Chefe dos Serviços de Turismo da Câmara Municipal da terra, Doutor Francisco Salvador, que nos falou das estratégias de desenvolvimento adoptadas, sendo elas serviços de turismo e programas de origem social. Mencionou ainda o desenvolvimento de colectividades em Óbidos, que começaram em 2001 apenas com os apoios cedidos pelo município. Compreendeu-se o destaque de Óbidos em prol dos seus eventos. Nota-se, através do longo progresso dos mesmos a evolução do município, o qual adquire uma certa experiência neste âmbito, o que constitui um incentivo ao desenvolvimento da comunidade. Este, por sua vez, gerou o surgimento de novos grupos, que desenvolveram novas actividades, permitindo a criação de emprego, conduzindo a um aumento do sector terciário (principalmente no ramo turístico).
De seguida, ouvimos a Doutora Sofia Félix, da Rede de Ludotecas do município de Sintra, que nos apresentou a rede de equipamentos lúdicos. Estes apareceram no contexto de ausência de infra-estruturas e contribuíram para o surgimento de projectos de Animação Pedagógica.
Sucedeu-se o Vereador do Pelouro da Cultura, do Lazer e do Desporto da Câmara Municipal de Castro Verde, Doutor Paulo Nascimento, que nos fez uma comunicação acerca do desenvolvimento da localidade, apresentando a sua cultura como “cultura para todos”. Demonstrou, também, uma grande preocupação com a formação do Indivíduos e o Associativismo.
Por fim, escutámos o Doutor Manuel Marques, Coordenador da Divisão de Cultura, Turismo e Desporto da Câmara Municipal de Mértola, que nos apresentou um dos seus projectos, o Festival Islâmico, relevando a sua importância para a História, Património e para a Arqueologia.
Seguiu-se então, o almoço.
De tarde, prosseguiu-se com o Painel II, “Universos e Novos Caminhos da Animação”, que se iniciou com uma comunicação brilhante da Doutora Verónica Bettencourt, antiga aluna de Animação na Escola Superior de Educação de Beja, da Região de Turismo dos Açores, Delegada de Turismo da Ilha Terceira, que nos falou da pertinência do Turismo nessa mesma região. Realçou a importância das belezas naturais e da preservação da Natureza e do Ambiente para o desenvolvimento turístico nos Açores.
Prosseguiu-se a comunicação do Doutor Nelson Domingos Brito, representante do Conselho de Administração da empresa privada Gestalqueva S.A., que nos apresentou algumas das actividades realizadas pela mesma.
Deu continuidade a este painel a Doutora Graça Martins, Chefe do Projecto EQUAL – Logística da Prevenção e Combate a Incêndios Florestais: A Mobilização de Recursos, que nos falou do programa do projecto, mencionando que o Animador tem muito a fazer em relação a este assunto.
Pôs fim ao Painel a Doutora Raquel Santos, Directora do Serviço Educativo da Culturgest, que nos apresentou o seu programa e formação.
Seguidamente, o público foi brindado com a actuação de uma aluna organizadora do Colóquio e de um já Animador e antigo aluno do curso em Beja, passando depois para uma pausa para café.
Concretizou-se uma Tertúlia – “Da Ideia ao Projecto; Da idealização à concretização da ideia, existe um caminho que importa explorar e partilhar”, onde se assistiu a uma comunicação bastante agradável e motivadora, da Dona Maria Odete Claro, avó de uma das nossas colegas agora animadora, Catarina Claro, do Grupo de Teatro Amador da Percelada, que terminou com uma frase extremamente interessante: “Eu não mudei o mundo, mas mudei uma aldeia!”.
Passou-se então a palavra à Doutora Marta Guerreiro, Técnica Superior de Educação, que nos falou do seu trabalho numa escola na área da dança.
Realizou-se então o Painel III: Animação sem Fronteiras; Outras realidades uma mesma finalidade, onde se encontraram representados cinco países, alguns de outros continentes: Doutor Germany Coly do Senegal, Doutor Benoît Atchom de Camarões, Doutora Maria de la Cruz do México, Doutora Manisha Narayan da Índia e, Doutora Charlotte Marland de França.
Passou-se a mais um momento de animação com música, seguido de uma pausa para café.
As comunicações terminaram então, dando lugar a um debate em Mesa Redonda, intitulado de “Animação e Desenvolvimento Local”, no qual participaram Câmaras Municipais e Associações de alguns municípios.
No segundo e último dia do V Colóquio de Animação, deu-se início à sessão com o Painel IV – “Desenvolvimento local, Empreendorismo e Animação”, onde a ESDIME, uma cooperativa de Messejana foi apresentada pelo Doutor David Marques, referindo-se à mesma como um exemplo de processo de desenvolvimento local, que, no início da sua formação, visava criar condições para a resolução de problemas da terra. Esta tentava arranjar uma forma criativa de enfrentar os problemas, onde a Animação tem um papel fundamental. A Animação prende-se então com Empreendorismo, pois irá incentivar as pessoas para a Educação informal. A partir de 1996, a ESDIME começa a intervir a nível das escolas, através do desenvolvimento de acticidades lúdicas e do trabalho com jovens e adolescentes, visando a melhoria da actividade de cidadania. O comunicador referiu ainda a importância do contributo das pessoas mais velhas para o desenvolvimento de actividades, podendo ser visto como recurso, sendo uma mais valia. A ESDIME trabalha também a nível mais pessoal, através do desenvolvimento de competências pessoais e profissionais. É necessário levar às pessoas a ideia de que o desenvolvimento passa por todos e, principalmente, pela Animação.
De seguida, ouvimos o Doutor José Vieira da Delegação do Instituto Português da Juventude de Faro, antigo aluno e Docente do curso de Animação Sociocultural na Escola Superior de Beja, que nos falou do estabelecimento da relação de Animação e Empreendorismo, defendendo que a primeira pode facilitar o último. Empreender é participar e os animadores podem eles próprios ser empreendedores. A Animação é então um instrumento de facilitação do Empreendorismo, aplicando-se na Animação Social e Comunitária e na Animação Cultural. O Doutor José Vieira defende que para empreender é necessário: Querer (por parte do Animador), Saber e Poder (participar ou empreender). Não se deve dispensar a acção do Animador enquanto empreendedor.
O Empreendorismo pode desempenhar um papel importante para os Animadores, como ajuda no desenvolvimento de projectos difíceis de desenvolver. Para tal, é necessária formação e informação.
Passou-se para mais um momento de animação musical, passando para uma pausa para café.
Voltou-se às comunicações com o Painel V – “Formação e Educação de Públicos”, principiado pelo Ricardo Marreiros, representante das Oficinas de Formação e Animação Cultural, onde fez uma apresentação do espaço, das instalações, das iniciativas e actividades. No âmbito da Animação Cultural, esta instituição visa a inserção e a dinamização social. Já num âmbito mais educacional, aposta na educação não formal e informal.
De seguida, falou Fernando Parreira, representante da “3 em Pipa” – Associação de criação Teatral e Animação Cultural, a qual foi formada em Lisboa, com o apoio Calouste Gulbenkian, tendo por bases o Teatro Comunidade, Profissional e Educação. Esta visa a criação de uma dinâmica cultural, através da dinamização de recursos já existentes. Como o senhor afirmou no final da sua comunicação: “A nossa missão é dinamizar, Criar o bichinho”, levando a cultura à comunidade.
Continuamente, ouviu-se Marco Ferreira, representante do “Baal 17”, um grupo de Teatro de Serpa, que se direcciona para o público em geral, chegando ao mesmo de outra forma, através de actividades teatrais como o Teatro de Rua. A nível da Educação, visa também aproximar escolas de teatro a escola normais.
Este Painel terminou com a comunicação de um conceituado pintor de Beja, António Inverno, que nos deu a conhecer um pouco da sua experiência e que nos falou de galerias. Trouxe também algumas palavras motivadoras para animadores e futuros animadores.
Seguiu-se o almoço.
A tarde foi iniciada com o Painel VI – “O Associativismo, o Voluntariado, a Acção Social e a Animação”, onde se começou por ouvir o Doutor Honório Vieira, Presidente da Direcção da Fundação CEBI, que nos falou em associativismo e a diversificação de áreas em que há instituições/associações, como a da saúde, ambiental, cientifica, educacional, infantil, entre muitas mais.
Passou-se então para o Doutor Augusto Flor, Presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, que nos falou do associativo colectivo, isto é, das colectividades e da sua composição (órgãos sociais). Realçou o papel da Misericórdia em Portugal e falou do surgimento do voluntariado, o qual se deu devido à falta de capital. Apresentou o Associativismo evoluído. Mencionou a existência de um desequilíbrio no reconhecimento entre o voluntariado social e o cultural ou desportivo.
Foi dada a palavra à Doutora Ana Ferreira, representante da Associação Rota Jovem, a qual apontou como sendo um exemplo de associativismo. Esta instituição desenvolve grandes projectos e direcciona-se para jovens da comunidade, sendo uma porta aberta para projectos que os mesmos possam ter.
Ouviu-se, de seguida o Doutor José Monte da ACE – Associação de Desenvolvimento Local Monte em Arraiolos, que nos apresentou a associação, falou sobre o desenvolvimento do voluntariado e a importância da formação profissional para o mais diverso público.
No final, ouviu-se a Doutora Cláudia Galaio, técnica superior de Animação, que nos falou acerca do seu trabalho num lar de idosos na sua terra.
Deu-se então mais um momento de animação musical, com uma aluna finalista e organizadora do Colóquio, passando para uma pausa com café.
Seguidamente, realizou-se o Painel VII – “Profissão:Animador”, onde se ouviu o Doutor Calado Mendes, Presidente da Direcção da ANASC, acerca do que é a Animação e o que é ser Animador, que disse uma frase extremamente interessante “Animador não é quem quer, é quem pode”.
Após o Doutor Calado Mendes, foi passada a palavra ao Doutor Idálio Loução, Animador Sociocultural da Câmara Municipal de Odemira e antigo aluno do curso de Animação em Beja, o qual fez uma comunicação bastante dinâmica e engraçada do seu trabalho e da sua formação.
O Painel encerrou com a comunicação dos membros da APDASC da Delegação do Sul, os quais mostraram o que pensam que será o ontem, o hoje e o amanhã da Animação Sociocultural e dos Animadores.
Procedeu-se então a sessão de encerramento do V Colóquio – “Caminhos da Animação”, com um pequeno discurso da actual Directora do Curso de Animação, a docente Doutora Ana Lavado e, do Docente do curso José Conde.
O Colóquio terminou com um espectáculo deslumbrante por parte de um grupo coral feminino de Beja e dos próprios organizadores do mesmo, os alunos finalistas de Animação de Beja. Este espectáculo marcou também os “10 Anos do Curso de Animação na Cidade de Beja”.
Tânia Milhano Nº3848
1º Ano Animação Sociocultural
A sessão de abertura, a 4 de Março, consumou-se com a comunicação de entidades da Escola Superior de Educação de Beja. Iniciou-se com o Senhor Vice-reitor, cujo discurso se prendeu com as dinâmicas de sala de aula e com o saber formal, defendendo a presença de uma animador nas escolas para a criação de iniciativas que promovam o saber e o querer adquirir saber. Desta forma, a Animação é um meio de combater a apatia.
Seguiu-se para a comunicação da Professora Doutora Ana Lavado, que nos falou da importância da Animação para a região Alentejana, bem como da pertinência do curso e os seus 10 anos de existência.
Posteriormente, passou-se para o Professor Doutor José Orta, primeiro director do Curso de Animação em Beja, que se pronunciou acerca da evolução do curso e da importância/necessidade do animador na sociedade, enquanto agente transformador de seres humanos em identidades consumidoras de cultura. Definiu o animador como uma pessoa que trabalha para um mundo melhor, através da solidariedade, podendo desenvolver projectos. Referiu ainda que “Animar é necessário e é urgente”.
Rui Mateus, representante da Câmara Municipal de Beja, falou-nos da dinamização de projectos de Animação na cidade de Beja, realçando o facto desta reunir condições para essa dinamização.
Finalizou este variado conjunto o senhor Manuel Monge, Governador Civil de Beja, que nos conferenciou sobre a defesa dos nossos valores culturais intrínsecos e da importância das raízes da nossa terra e da sua preservação.
Sucedeu-se, assim, um intervalo com um momento de animação com o senhor Padre Cartageno e Ana, com uma rapsódia alentejana, passando para a pausa para café.
Continuamente, ouviu-se o Doutor António Leal, Animador e docente do curso de Animação na Escola Superior de Educação de Coimbra, que falou acerca dos desafios à Animação e as Animadores para o séc. XXI, mencionando a sua experiência como animador, uma vez que tem contacto com a Animação desde jovem. Falou do desenvolvimento da Animação nos anos 80, referindo que nesse período esta se prendia com a questão da infância, do desenvolvimento do espírito de iniciativa, abordando ainda que as crianças são reféns do consumo de lazer, o que trará reflexos no futuro. Defendeu claramente que a Animação é importante para o desenvolvimento da iniciativa.
Referiu-se ainda a um problema presente, extremamente eminente, que tem tendência para se agravar: a questão dos idosos. Cada vez mais a Esperança de Vida aumenta, o que torna urgente contribuir para uma velhice mais digna e activa, onde o animador terá um papel fundamental.
Outro assunto tratado pelo Doutor António Leal, onde pareceu bastante empenhado foi a questão dos emigrantes e da sua integração na sociedade portuguesa, onde revelou uma grande preocupação com adaptação dos filhos dos mesmos, uma vez que a maior parte nasceu em Portugal, devendo ser tratados como portugueses. Esta desintegração conduz a problemas nos bairros sociais. Será então aqui que o animador terá de intervir, trabalhando com este grupo de pessoas.
Seguidamente, falou-nos da questão da participação, onde disse que os Animadores defendem o seu desenvolvimento, mas não criaram metodologias para se combater. Aqui, o Animador terá de reconhecer os desafios, obrigando-o a agir. As metodologias de Animação deverão ser activas e participativas, de outra forma as estratégias não são solidificadas.
Na continuação do seu discurso, mencionou o facto de os Animadores acharem que não são reconhecidos, mas que devem estar conscientes do seu papel na sociedade, pois a Animação afirmou-se com a prática. Terão então de encontrar estratégias para a resolução de problemas em geral, pois o Animador não tem um campo de intervenção específico. A sociedade tem de conhecer o que o Animador tem para oferecer. A participação e o desenvolvimento de metodologias de participação são a base do seu trabalho. Este trabalha com as pessoas e para as pessoas. Procura dinamizar o protagonismo da população com que trabalha para que esta possa resolver os seus próprios problemas. Para tal, terá de ter metodologias de trabalho para as pessoas.
Para o Dr. António Leal, o Animador testa técnicas na escola, na realização do seu estágio. Esta deve ser o laboratório para as suas experiências, pois não se testam as técnicas no campo de trabalho.
Concluiu a comunicação com a ideia de que o Animador tem de contribuir de forma saudável e equilibrada para a construção de uma cidadania europeia.
Antecedentemente ao início dos Painéis de comunicação, tivemos o prazer de ver duas já animadoras (embora seja à pouco tempo) numa pequena representação, que divertiu imenso o público.
Passou-se então ao Painel I, intitulado de “Animação e Autarquias”, onde se falou sobre projectos de Animação dinamizados por Autarquias Portuguesas, que se iniciou com uma apresentação da programação realizada em Óbidos, realizada pelo Chefe dos Serviços de Turismo da Câmara Municipal da terra, Doutor Francisco Salvador, que nos falou das estratégias de desenvolvimento adoptadas, sendo elas serviços de turismo e programas de origem social. Mencionou ainda o desenvolvimento de colectividades em Óbidos, que começaram em 2001 apenas com os apoios cedidos pelo município. Compreendeu-se o destaque de Óbidos em prol dos seus eventos. Nota-se, através do longo progresso dos mesmos a evolução do município, o qual adquire uma certa experiência neste âmbito, o que constitui um incentivo ao desenvolvimento da comunidade. Este, por sua vez, gerou o surgimento de novos grupos, que desenvolveram novas actividades, permitindo a criação de emprego, conduzindo a um aumento do sector terciário (principalmente no ramo turístico).
De seguida, ouvimos a Doutora Sofia Félix, da Rede de Ludotecas do município de Sintra, que nos apresentou a rede de equipamentos lúdicos. Estes apareceram no contexto de ausência de infra-estruturas e contribuíram para o surgimento de projectos de Animação Pedagógica.
Sucedeu-se o Vereador do Pelouro da Cultura, do Lazer e do Desporto da Câmara Municipal de Castro Verde, Doutor Paulo Nascimento, que nos fez uma comunicação acerca do desenvolvimento da localidade, apresentando a sua cultura como “cultura para todos”. Demonstrou, também, uma grande preocupação com a formação do Indivíduos e o Associativismo.
Por fim, escutámos o Doutor Manuel Marques, Coordenador da Divisão de Cultura, Turismo e Desporto da Câmara Municipal de Mértola, que nos apresentou um dos seus projectos, o Festival Islâmico, relevando a sua importância para a História, Património e para a Arqueologia.
Seguiu-se então, o almoço.
De tarde, prosseguiu-se com o Painel II, “Universos e Novos Caminhos da Animação”, que se iniciou com uma comunicação brilhante da Doutora Verónica Bettencourt, antiga aluna de Animação na Escola Superior de Educação de Beja, da Região de Turismo dos Açores, Delegada de Turismo da Ilha Terceira, que nos falou da pertinência do Turismo nessa mesma região. Realçou a importância das belezas naturais e da preservação da Natureza e do Ambiente para o desenvolvimento turístico nos Açores.
Prosseguiu-se a comunicação do Doutor Nelson Domingos Brito, representante do Conselho de Administração da empresa privada Gestalqueva S.A., que nos apresentou algumas das actividades realizadas pela mesma.
Deu continuidade a este painel a Doutora Graça Martins, Chefe do Projecto EQUAL – Logística da Prevenção e Combate a Incêndios Florestais: A Mobilização de Recursos, que nos falou do programa do projecto, mencionando que o Animador tem muito a fazer em relação a este assunto.
Pôs fim ao Painel a Doutora Raquel Santos, Directora do Serviço Educativo da Culturgest, que nos apresentou o seu programa e formação.
Seguidamente, o público foi brindado com a actuação de uma aluna organizadora do Colóquio e de um já Animador e antigo aluno do curso em Beja, passando depois para uma pausa para café.
Concretizou-se uma Tertúlia – “Da Ideia ao Projecto; Da idealização à concretização da ideia, existe um caminho que importa explorar e partilhar”, onde se assistiu a uma comunicação bastante agradável e motivadora, da Dona Maria Odete Claro, avó de uma das nossas colegas agora animadora, Catarina Claro, do Grupo de Teatro Amador da Percelada, que terminou com uma frase extremamente interessante: “Eu não mudei o mundo, mas mudei uma aldeia!”.
Passou-se então a palavra à Doutora Marta Guerreiro, Técnica Superior de Educação, que nos falou do seu trabalho numa escola na área da dança.
Realizou-se então o Painel III: Animação sem Fronteiras; Outras realidades uma mesma finalidade, onde se encontraram representados cinco países, alguns de outros continentes: Doutor Germany Coly do Senegal, Doutor Benoît Atchom de Camarões, Doutora Maria de la Cruz do México, Doutora Manisha Narayan da Índia e, Doutora Charlotte Marland de França.
Passou-se a mais um momento de animação com música, seguido de uma pausa para café.
As comunicações terminaram então, dando lugar a um debate em Mesa Redonda, intitulado de “Animação e Desenvolvimento Local”, no qual participaram Câmaras Municipais e Associações de alguns municípios.
No segundo e último dia do V Colóquio de Animação, deu-se início à sessão com o Painel IV – “Desenvolvimento local, Empreendorismo e Animação”, onde a ESDIME, uma cooperativa de Messejana foi apresentada pelo Doutor David Marques, referindo-se à mesma como um exemplo de processo de desenvolvimento local, que, no início da sua formação, visava criar condições para a resolução de problemas da terra. Esta tentava arranjar uma forma criativa de enfrentar os problemas, onde a Animação tem um papel fundamental. A Animação prende-se então com Empreendorismo, pois irá incentivar as pessoas para a Educação informal. A partir de 1996, a ESDIME começa a intervir a nível das escolas, através do desenvolvimento de acticidades lúdicas e do trabalho com jovens e adolescentes, visando a melhoria da actividade de cidadania. O comunicador referiu ainda a importância do contributo das pessoas mais velhas para o desenvolvimento de actividades, podendo ser visto como recurso, sendo uma mais valia. A ESDIME trabalha também a nível mais pessoal, através do desenvolvimento de competências pessoais e profissionais. É necessário levar às pessoas a ideia de que o desenvolvimento passa por todos e, principalmente, pela Animação.
De seguida, ouvimos o Doutor José Vieira da Delegação do Instituto Português da Juventude de Faro, antigo aluno e Docente do curso de Animação Sociocultural na Escola Superior de Beja, que nos falou do estabelecimento da relação de Animação e Empreendorismo, defendendo que a primeira pode facilitar o último. Empreender é participar e os animadores podem eles próprios ser empreendedores. A Animação é então um instrumento de facilitação do Empreendorismo, aplicando-se na Animação Social e Comunitária e na Animação Cultural. O Doutor José Vieira defende que para empreender é necessário: Querer (por parte do Animador), Saber e Poder (participar ou empreender). Não se deve dispensar a acção do Animador enquanto empreendedor.
O Empreendorismo pode desempenhar um papel importante para os Animadores, como ajuda no desenvolvimento de projectos difíceis de desenvolver. Para tal, é necessária formação e informação.
Passou-se para mais um momento de animação musical, passando para uma pausa para café.
Voltou-se às comunicações com o Painel V – “Formação e Educação de Públicos”, principiado pelo Ricardo Marreiros, representante das Oficinas de Formação e Animação Cultural, onde fez uma apresentação do espaço, das instalações, das iniciativas e actividades. No âmbito da Animação Cultural, esta instituição visa a inserção e a dinamização social. Já num âmbito mais educacional, aposta na educação não formal e informal.
De seguida, falou Fernando Parreira, representante da “3 em Pipa” – Associação de criação Teatral e Animação Cultural, a qual foi formada em Lisboa, com o apoio Calouste Gulbenkian, tendo por bases o Teatro Comunidade, Profissional e Educação. Esta visa a criação de uma dinâmica cultural, através da dinamização de recursos já existentes. Como o senhor afirmou no final da sua comunicação: “A nossa missão é dinamizar, Criar o bichinho”, levando a cultura à comunidade.
Continuamente, ouviu-se Marco Ferreira, representante do “Baal 17”, um grupo de Teatro de Serpa, que se direcciona para o público em geral, chegando ao mesmo de outra forma, através de actividades teatrais como o Teatro de Rua. A nível da Educação, visa também aproximar escolas de teatro a escola normais.
Este Painel terminou com a comunicação de um conceituado pintor de Beja, António Inverno, que nos deu a conhecer um pouco da sua experiência e que nos falou de galerias. Trouxe também algumas palavras motivadoras para animadores e futuros animadores.
Seguiu-se o almoço.
A tarde foi iniciada com o Painel VI – “O Associativismo, o Voluntariado, a Acção Social e a Animação”, onde se começou por ouvir o Doutor Honório Vieira, Presidente da Direcção da Fundação CEBI, que nos falou em associativismo e a diversificação de áreas em que há instituições/associações, como a da saúde, ambiental, cientifica, educacional, infantil, entre muitas mais.
Passou-se então para o Doutor Augusto Flor, Presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, que nos falou do associativo colectivo, isto é, das colectividades e da sua composição (órgãos sociais). Realçou o papel da Misericórdia em Portugal e falou do surgimento do voluntariado, o qual se deu devido à falta de capital. Apresentou o Associativismo evoluído. Mencionou a existência de um desequilíbrio no reconhecimento entre o voluntariado social e o cultural ou desportivo.
Foi dada a palavra à Doutora Ana Ferreira, representante da Associação Rota Jovem, a qual apontou como sendo um exemplo de associativismo. Esta instituição desenvolve grandes projectos e direcciona-se para jovens da comunidade, sendo uma porta aberta para projectos que os mesmos possam ter.
Ouviu-se, de seguida o Doutor José Monte da ACE – Associação de Desenvolvimento Local Monte em Arraiolos, que nos apresentou a associação, falou sobre o desenvolvimento do voluntariado e a importância da formação profissional para o mais diverso público.
No final, ouviu-se a Doutora Cláudia Galaio, técnica superior de Animação, que nos falou acerca do seu trabalho num lar de idosos na sua terra.
Deu-se então mais um momento de animação musical, com uma aluna finalista e organizadora do Colóquio, passando para uma pausa com café.
Seguidamente, realizou-se o Painel VII – “Profissão:Animador”, onde se ouviu o Doutor Calado Mendes, Presidente da Direcção da ANASC, acerca do que é a Animação e o que é ser Animador, que disse uma frase extremamente interessante “Animador não é quem quer, é quem pode”.
Após o Doutor Calado Mendes, foi passada a palavra ao Doutor Idálio Loução, Animador Sociocultural da Câmara Municipal de Odemira e antigo aluno do curso de Animação em Beja, o qual fez uma comunicação bastante dinâmica e engraçada do seu trabalho e da sua formação.
O Painel encerrou com a comunicação dos membros da APDASC da Delegação do Sul, os quais mostraram o que pensam que será o ontem, o hoje e o amanhã da Animação Sociocultural e dos Animadores.
Procedeu-se então a sessão de encerramento do V Colóquio – “Caminhos da Animação”, com um pequeno discurso da actual Directora do Curso de Animação, a docente Doutora Ana Lavado e, do Docente do curso José Conde.
O Colóquio terminou com um espectáculo deslumbrante por parte de um grupo coral feminino de Beja e dos próprios organizadores do mesmo, os alunos finalistas de Animação de Beja. Este espectáculo marcou também os “10 Anos do Curso de Animação na Cidade de Beja”.
Tânia Milhano Nº3848
1º Ano Animação Sociocultural


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